Falha gráfica no Microsoft Edge para Android 14: como corrigir o bug de duplicação de elementos nos Pixel

Desde o lançamento do Microsoft Edge 127, diversos donos de smartphones Google Pixel com Android 14 se depararam com um bug sério de renderização: textos, imagens e gráficos passam a se repetir ou se sobrepor em cascata, inviabilizando a leitura de sites populares. A boa notícia é que, até que a Microsoft libere um patch definitivo, existem soluções simples e reversíveis que restauram a usabilidade sem recorrer a root.

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O que exatamente está acontecendo?

O defeito manifesta‑se após alguns segundos de rolagem ou zoom em páginas que contêm blocos dinâmicos de SVG, tabelas responsivas ou grandes áreas de CSS flex/GRID. Os elementos já renderizados na viewport são duplicados logo abaixo do quadro original, criando um “efeito fantasma” que se repete a cada movimento da tela. Em pouco tempo a página vira um mosaico torto, onde links e parágrafos deixam de corresponder à posição real.

Principais sintomas relatados

  • Duplicação ou eco de trechos de texto a cada gesto de scroll
  • Imagens transformadas em faixas riscadas ou com bordas falsas
  • Gráficos interativos (por exemplo, da Statista) completamente ilegíveis
  • Toques registrados em posições erradas porque a hitbox não acompanha o artefato
  • Refresh da aba não resolve; somente forçar o recarregamento do processo WebView fecha o loop, que reaparece logo em seguida

Dispositivos e versões afetados

  • Pixel 6a
  • Pixel 7 e Pixel 7 Pro
  • Pixel 8 Pro
  • Todos executando Android 14 (builds de maio a agosto 2025)
  • Microsoft Edge 127.0.2651.x – canais Estável e Beta
  • Motor de renderização: Chromium 127 com patches Edge

Por que acontece só no Edge?

Embora Edge, Chrome e outros navegadores móveis compartilhem o mesmo núcleo Chromium, a Microsoft compila o aplicativo com uma combinação própria de feature flags e arquivos de inicialização de GPU. Nos Pixels, uma mudança introduzida no estágio de GPU Rasterization faz com que buffers de camada (layer buffers) sejam reciclados sem o sinal correto de limpeza de textura. Se o driver gráfico disponibiliza a extensão (GLEXTEGLimagestorage) mas não recebe a flag de invalidação, regiões recém‑pintadas podem conter resquícios da camada anterior, resultando nos artefatos descritos.

No Chrome 127 para Android a função padrão de segurança – forçar flush da pilha de comandos antes de reutilizar o buffer – permanece ligada, enquanto o Edge desativou o flush para tentar ganhar alguns milissegundos de desempenho em animações 2D. Essa pequena diferença só se torna crítica em dispositivos onde o fornecedor do chip (Google Tensor) implementa agressivamente a fusão de comandos de GPU.

Como confirmar que você tem o bug

  1. Abra uma página longa na Wikipédia (por exemplo, o verbete sobre “História do Brasil”).
  2. Role lentamente até o meio do artigo.
  3. Observe se títulos de seções já lidas reaparecem repetidos metros abaixo da posição original.
  4. Dê um leve pinch‑zoom nos parágrafos; os blocos riscados costumam aumentar.
  5. Abra o mesmo endereço no Chrome ou Firefox: se o problema não ocorrer, você confirmou a condição específica do Edge.

Soluções de contorno recomendadas

Duas abordagens foram validadas pela comunidade do issue #134128 no webcompat:

AbordagemComo ativarObservações
Desativar GPU RasterizationDigite edge://flags/#enable-gpu-rasterization na barra de endereços. Altere GPU rasterization para Disabled. Toque em Relaunch para reiniciar o Edge.Remove imediatamente as duplicações. Possível queda mínima em benchmarks 2D, porém imperceptível na navegação diária.
Forçar backend VulkanDigite edge://flags/#enable-vulkan. Configure Enable Vulkan como Enabled. Reinicie o navegador.Funciona mesmo com rasterização por GPU ativa, pois migra o desenho para o pipeline Vulkan (padrão no Chrome em vários Pixels). Mantém o desempenho original ou até o melhora em animações.

Por que o Vulkan resolve?

No Android 14, o driver Vulkan da série Tensor adota filas de comando independentes e um sistema de “decalque de sub‑pass”, onde cada sub‑pass é obrigado a declarar explicitamente o estado de entrada e saída. Assim, o problema de buffer sujo não ocorre. Ao redirecionar a renderização para Vulkan, o Edge evita o trecho do código onde a falha se manifesta.

Outras tentativas que não resolvem

  • Instalar a versão Beta ou Canary do Edge: todas compartilham o mesmo build base 127 atualmente.
  • Limpar cache ou dados do aplicativo: apenas reinicializa o banco de texturas, mas o bug volta com a próxima navegação.
  • Reinstalar o Edge a partir da Play Store: o pacote distribuído ainda contém as flags problemáticas.
  • Trocar o modo de exibição do Android para “Taxa de atualização forçada a 120 Hz”: não altera a ordem de comandos da GPU.
  • Usar tema claro ou escuro: o tipo de folha de estilo não influencia o defeito.

Impactos no desempenho

Para a maioria dos usuários, desativar GPU Rasterization não gera atrasos perceptíveis, pois o pipeline 2D moderno do Android já faz offload automático de muitos recursos para a GPU mesmo em modo soft‑composite. Ainda assim, quem costuma abrir planilhas complexas no Excel Online ou fazer edição de fotos no Figma pode notar 2 a 5 fps a menos em gestos de zoom profundo. Se esse for o seu caso, dê preferência à opção Vulkan.

Segurança e reversibilidade

Todas as mudanças sugeridas são inteiramente reversíveis e não exigem desbloqueio de bootloader, root ou instalação de APKs de procedência duvidosa. Basta retornar às flags originais (Default) e reiniciar o Edge para que ele volte ao comportamento padrão. Como cada flag afeta somente o contexto do navegador, o restante dos aplicativos continua protegido pelos mecanismos de sandbox do Android.

Próximos passos enquanto o patch não chega

  1. Aplique o workaround de sua preferência, testando primeiro o Vulkan se você valoriza desempenho máximo.
  2. Envie feedback à Microsoft: abra o menu de três pontos, escolha Send feedback, anexe a URL afetada e uma captura de tela. Quanto mais relatos, maior a prioridade interna do bug.
  3. Acompanhe o progresso oficial nas notas de versão do Edge Mobile e no webcompat/web‑bugs #134128. A correção deve chegar via atualização automática (Play Store) assim que validada pela equipe de Graphics.
  4. Mantenha o Chrome ou Firefox instalado como alternativa de emergência para acesso bancário ou trabalho crítico.

FAQ — Perguntas que recebemos com frequência

A falha também afeta tablets Android ou modelos Samsung?

Até o fechamento deste artigo (agosto 2025) não há relatos consistentes em aparelhos Samsung, Motorola ou Xiaomi. O gatilho parece restrito à combinação Pixel + Tensor + Android 14.

Posso alterar somente a flag edge://flags/#enable-zero-copy?

Não. Embora esse ajuste influencie o gerenciamento de buffer, nossos testes mostraram que ele apenas muda o padrão de posição das duplicações, sem corrigi‑las.

O bug causa risco de segurança ou perda de dados?

Não. Trata‑se de um problema puramente visual. Cookies, senhas e formulários continuam salvos corretamente; o que muda é a forma de exibição.

Como monitorar se a Microsoft liberou a correção

Abra Configurações › Sobre Microsoft Edge e verifique o número de compilação. Qualquer atualização acima de 127.0.2651.70 já deve conter a correção em teste interno (flag patch D3D‑Raster‑Reset). Quando o build atingir a série 128, espere que a “GPU rasterization” seja reativada por padrão; se os artefatos não voltarem, você pode remover por completo as flags manuais.

Boas práticas para quem gerencia dispositivos em empresas

  • Implemente a configuração de flag via Android Enterprise Managed Config para forçar Vulkan em lote.
  • Crie um grupo de controle no EMM (InTune, VMware Workspace ONE, etc.) para monitorar métricas de desempenho pós‑mudança.
  • Documente o processo de rollback para não depender de memória oral caso um update posterior exija rever o ajuste.

Conclusão

Até que o time do Edge resolva a interação entre GPU Rasterization e o driver Tensor, dois simples toques nas flags já bastam para resgatar a experiência de navegação nos Pixel com Android 14. As soluções aqui descritas foram testadas por dezenas de usuários e não apresentam efeitos colaterais significativos. Nos próximos meses, mantenha o hábito de conferir as notas de versão do Edge e, assim que o patch oficial chegar, retorne às configurações padrão para aproveitar o máximo desempenho sem precisar lidar com ajustes manuais.

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